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Caí no golpe do falso advogado, o que eu faço?

O telefone toca. Do outro lado, alguém que conhece o número do seu processo, o nome do seu advogado e o valor que você tem a receber.

Diz que um alvará foi liberado e que basta pagar uma taxa para o valor cair na conta. Ou que houve um erro e é preciso devolver uma quantia com urgência.

O golpe do falso advogado funciona porque o criminoso não improvisa: ele chega com informação verdadeira na mão.

Por que esse golpe engana tanta gente

A maior parte dos processos judiciais é pública. Número, partes, movimentações e valores podem ser consultados.

Com esses dados, o criminoso monta uma abordagem que parece legítima: fala do seu caso, cita datas reais, menciona o nome correto do advogado.

Alguns clonam o número de telefone do escritório. Outros criam perfis em aplicativos de mensagem com a foto do profissional.

E todos exploram o mesmo gatilho: a expectativa de receber um dinheiro esperado há anos, somada à pressa artificial.

O sinal que identifica o golpe

Existe um único sinal que resolve praticamente todos os casos, e ele vale a pena ser decorado.

Valor de processo não passa pelo cliente pagando nada antes. Não existe taxa antecipada para liberar alvará, para desbloquear precatório, para agilizar levantamento.

Some-se a isso os sinais habituais: contato por número desconhecido, urgência sem explicação, pedido de sigilo, transferência para conta de pessoa física ou de empresa sem relação com o escritório.

A mecânica é irmã da descrita em caí no golpe do falso gerente e em caí no golpe da falsa central: alguém legítimo aos olhos da vítima pedindo uma ação urgente.

Se você já pagou: as primeiras horas

Comunique o banco imediatamente. Peça o bloqueio e informe que se trata de fraude.

Peça o acionamento do mecanismo de devolução previsto no sistema de pagamentos instantâneos, informando data, horário, valor e destinatário de cada transferência.

Anote os protocolos de cada ligação, com data e hora.

Fale com o seu advogado pelo canal que você já conhecia, jamais pelo número que fez o contato.

Registre boletim de ocorrência, com todo o histórico da abordagem.

Preserve as provas antes que sumam: capturas das conversas, número de telefone, áudios, documentos enviados, comprovante da transferência.

O tempo aqui é decisivo — quanto mais rápido, maior a chance de o valor ainda estar na conta de destino.

Onde comunicar além do banco

Comunique o escritório de advocacia envolvido. Ele precisa saber que o nome dele está sendo usado e costuma alertar os demais clientes.

Comunique também a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do seu estado. O uso indevido do nome e do registro de um profissional interessa diretamente à entidade.

Registre reclamação nos canais de defesa do consumidor e no canal do regulador do sistema financeiro.

A discussão com o banco

Aqui existe uma diferença importante em relação a outros golpes, e vale ser franco sobre ela.

Quando a própria vítima realiza a transferência, convencida pelo criminoso, a discussão sobre responsabilidade da instituição é mais difícil do que nos casos de operação feita por terceiro.

Isso não significa que não haja o que discutir. Há elementos que podem sustentar o pedido: transferência muito acima do padrão histórico do cliente, destinatário inteiramente novo, sequência atípica, conta de destino usada de forma recorrente para receber valores de fraude sem qualquer barreira.

Diante desse quadro, é possível discutir a falha na prestação do serviço, e o banco poderá ser responsabilizado — a depender da prova produzida e da análise do caso concreto.

Se além da transferência houve acesso ao seu aparelho ou uso de cartão, os roteiros específicos estão em roubaram meu celular e fizeram PIX e em fizeram compra no meu cartão que não reconheço.

Como não cair — e como proteger quem está ao seu redor

Combine com o seu advogado um canal único de contato e não trate de dinheiro por nenhum outro.

Desligue e ligue de volta pelo número que você já tinha salvo. Sempre.

Desconfie de qualquer pedido de pagamento prévio para receber valor de processo.

Confira o registro do profissional na Ordem dos Advogados do Brasil antes de qualquer transferência.

E avise pessoas idosas da família, que costumam ser o alvo preferencial dessa abordagem — sobretudo quando há processo previdenciário ou herança em andamento.

Perguntas frequentes

Caí no golpe do falso advogado: dá para reaver o dinheiro?

Pode ser possível, sobretudo se a comunicação ao banco for imediata e o valor ainda estiver na conta de destino.

Qual é a primeira providência?

Comunicar o banco e pedir o acionamento da devolução. Depois, boletim de ocorrência e preservação das conversas.

Como o criminoso sabia do meu processo?

Boa parte dos dados processuais é pública. É isso que dá aparência de legitimidade à abordagem.

O banco responde nesse caso?

A discussão é mais difícil quando a própria vítima transfere, mas não é impossível. Depende do padrão da operação e da prova.

Devo avisar a OAB?

Sim. O uso indevido do nome e do registro de um advogado interessa diretamente à seccional do estado.

Existe taxa para liberar alvará?

Não. Esse é o sinal mais confiável do golpe: valor de processo não depende de pagamento prévio do cliente.

E se eu só passei dados, sem transferir?

Bloqueie o que for possível, troque senhas e monitore contas e cadastros de crédito nas semanas seguintes.

Conclusão

O golpe do falso advogado se sustenta em informação verdadeira usada para fim falso — e é isso que o torna convincente.

A defesa é simples e não depende de conhecimento jurídico: nenhum valor de processo exige pagamento prévio do cliente. Diante de qualquer cobrança nesse sentido, desligue e confirme pelo canal conhecido.

E, se o pagamento já ocorreu, a velocidade é tudo. Banco, boletim de ocorrência e preservação das conversas nas primeiras horas.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a análise individualizada de um advogado sobre o seu caso concreto.

Criado em 26/08/2026